Conselhos de Okeanós - I.

Observa-se uma leve suspensão da sensibilidade no individuo que se encontra em órbita monótona e insípida do pensamento dedutivo, onde não há outra coisa a dizer a não ser que tudo está em seu lugar de direito e justeza. E não vê-se nada mudar, e nada vai a lugar algum; as adjetivações de nada servem, pois a verdade apenas é, e não necessita de feição ou fisionomia em seu apresentar-se. A linguagem presta-se apenas ao serviço de ajudar a mente em sua fuga do mundo e de suas primaveras de cores borboleteadas. É certo que o corpo ainda continua a senti-lo, é lá a sua morada, mas ela sustém-se distante. Refugiando-se, está tão aprisionada em seu medo, que se torna incapaz de respirar seja o aroma dos jardins, seja a si mesma. Falta-lhe ar – o vento, a ventania, a brisa ou o sereno frio da madrugada. Assim, o abrigo sufoca e a tão prometida e buscada segurança amordaça e entrava toda a essência do ser no mundo: expressar-se.

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