“Senti meu corpo cansado, algo lhe faltava e isto o fazia mais pesado”
Uma ausência pesa quando o que nos falta é justamente aquilo deveria nos proporcionar força. Assim, tornamo-nos mais pesados porque a força gravitacional que nos mantêm presos ao chão excede a vontade de seguir, de elevar-se mais além e acima de tudo. Tal se passa com um niilista: o peso da existência aumenta-lhe à medida que não encontra um sentido capaz de lhe armar contra o absurdo diário da realidade. Pesa-lhe o corpo, a rotina, a bagagem de justificativas evasivas dadas nas manhãs soliloquias, tão logo exige-se das pernas convicção e tenacidade.
Distinguimos-nos dele? Vá ás ruas e olhe: não nos movemos mais, caímos, somos levados. Engrenamos na grande roda que põe a girar uma existência artificial e descartável, como peças sobressalentes.
Ao menos como derradeiro obséquio, responda-me: quem tirou de nós a nossa força – a sua própria de cada um? Ou, quem nos fez assim tão fracos – dotados apenas de ausências, de saudades do ainda não visto (um forte desejo por algo sem nome)?
Noto; faço notar... por favor, tome nota: a vida só nos pesa quando falta-lhe um sentido. Porém, perguntais: quem nos fará fortes o suficiente para que sejamos capazes, nos mesmos, de darmos um propósito a este vagar por ai, natimorto?
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