Os Caquis Negros do Alto

 Vem cá, deixa eu te contar uma história. Foi na feira de domingo, numa vila que ficava depois daquele moro, que ninguém lembra mais como se chama de tão velho, ou porque nem ele mesmo se lembra… Vê o silêncio dele, observando calado passarem as nações e as línguas… Enfim, nas feiras de uma vila. Numa barraca, vendiam caquis, de todos os tipos e cores que haviam conseguido reunir. Entre todos, os vermelhos eram os preferidos. Não se sabe exatamente porque, alguns contam que por conta de uma guerra contra povos do outro lado do morro, outros… Enfim, deu-se que os caquiiis vermeeelhos (quem provou conta que chegavam a ser alucinógenos!)… Bem, eles sumiram de todas as lavouras… Ou porque não se podia plantá, ou porque não vingavam, não se sabe. Muito se fala, claro. Ah! Falando, me lembrei agora que por aqueles tempos um povoado daquelas bandas foi esculachado depois de umas rincha por terra e plantações de caquis vermelhos… Acho que o nome do lugar era algo com Rubro ou Escarlate... Diacho! Agora já não sei se os caqui eram mesmo vermelhos ou se era esse o nome que lhes deram só porque eram das terras desse povo... Que seja, onde se procurava, não se achava caqui vermelho em banca nenhuma. Dai que quando alguém chegava na feira e perguntava logo, afoito, tem caqui vermelho?, sempre se ouvia o mesmo triste “tem não homi”. Mas rápido emendado num “mas tem esse daqui oh, que tão plantando agora lá no alto”. Ao que o fanático, vencido, às vezes, respondia, “a pois me dê desse não-vermelho mermo”. Pois veja você que esses caquis, que até hoje ninguém sabe nem de que cor era, mas que todo mundo lembra de como eram de ruim pra insosso, estes mesmos ficaram sendo chamados assim “não-vermelho” foi por muito tempo, visse? Até que foram esquecidos, depois que apareceram os “Caquis Negros do Alto”. Que, por tua sorte, são esses daqui que tu tá vendo e vai provar um pedaço é agora!.

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