A fim de curar afasias...

Compreender o quadro desta experiência que parece tão enrijecida, engessada, atada a traumas e limitações dos quais não consegue se livrar. Mordaças que que lhe impedem de urdir as vozes de sua singularidade intrínseca e constituinte. Ao mesmo tempo, entender esse desejo de tornar-se sempre outro, fugir daquilo que é, e encontrar numa nova habilidade descoberta no mais raro e rico aspecto de sua existência. Liberar, acima de tudo, a reflexão sobre a própria vida e seus momentos a fim de distinguir quando este desejo se manifesta em sua sinceridade legítima, dos momentos em que exprime mais uma coerção desta vida sufocada, coagida, tantas vezes dublada e substituída por um teatro que é a sua própria falsificação – num eclipse das potências libertadoras e insubmissas da Natureza. Resgatar as possibilidades ocultas de novas formas de liberdade antes que definhem as singularidades, soterradas pelo aço e concreta das semi-máquinas.

São Paulo, setembro de 2014.

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