Grito nº 2

O pesar do poeta

Escrevo para que as palavras
e suas mensagens
me deixem em paz

escrevo
fito o escrito
reajo e julgo o filho parido:
fezes

é pouco
sempre é pouco
vazio. De novo,
nada

contemplo a obra
e sou tomado
de um irremediável
desapego

é preciso fazer mais
há sempre mais
e o importante sempre calado está.

a falta é sempre o mais importante

o mais importante sempre falta
no mais, sempre falta o importante

o mais importante sempre falta na fala
a fala sempre falha com o mais importante
o sempre importante falha na fala

a maior falha
é a falta que faz
algo que seja sempre
importante

o importante é que o sempre sempre falta
que a falha nunca fala a dor
e que o amor
nunca tem nome

...
escrevo para que fique claro,
tão evidente quanto um estomago vazio a roncar
ou como a má digestão do caos depois da embriaguez,
(....)
Que ainda há o que dizer

Sempre há o que dizer.

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